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Um frágil acordo
Essa semana deve ser de relativa paz na Faixa de Gaza, e também deve ser a decisiva para o fim ou permanência dos conflitos entre Israel e Hamas.
Após o anúncio de um cessar-fogo por parte de Israel, e que foi quebrado logo em seguida, quando tropas israelenses entraram em confronto com militantes do Hamas. Um palestino teria morrido nessa retomada do confronto.
Militantes do Hamas também voltaram a atacar Israel com mísseis nesse domingo. Um deles caiu na cidade de Sderot, mas ninguém ficou ferido.
Entretanto, após esses confrontos, o Hamas também decidiu por um cessar-fogo. Segundo o grupo esse acordo será de uma semana, prazo dado para que as tropas israelenses deixem Gaza e para a abertura da fronteira da Faixa, com a entrada de ajuda humanitária. Em nota, o Hamas disse que se um só soldado permanecer em Gaza após o término do prazo os ataques serão retomados.
“Os grupos palestinos se reuniram em Damasco e anunciarão proximamente um cessar-fogo das facções palestinas durante uma semana com o fim de abrir as passagens de fronteira e de deixar entrar a ajuda humanitária”, disse Daud Chihab, porta-voz da Jihad. “Durante esse período, a resistência está disposta a responder a todos os esforços egípcios, turcos, sírios e árabes que permitam um acordo para a retirada completa das forças israelenses e a abertura total dos pontos de passagem.”
Israel não se manifestou sobre a proposta do Hamas, entretanto, quando o cessar-fogo de Israel foi assinado, o primeiro ministro Ehud Olmert havia dito que não daria prazo para retirar as tropas israelenses de Gaza. Segundo o premiere, enquanto houver risco de que o Hamas não cumpra o cessar fogo as tropas permanecem em Gaza. Caso Israel volte a ser atacada, o exército deverá retomar sua ofensiva contra o Hamas.
“Se houver o risco de que o Hamas deliberadamente torpedeie o cessar-fogo, e nós tivermos que reiniciar as ações ofensivas contra o Hamas, então temos de ser reticentes sobre tirar nossas tropas”, disse o porta-voz do premiê, Mark Regev. “Se o cessar-fogo durar, então poderemos pensar em sair.”
Um acordo mais duradouro está nas mãos do Egito, que está mediando o acordo entre Israel e Hamas. A cúpula para discutir a situação em Gaza já está reunida e conta com representantes dos dois lados em conflito. O presidente da França Nicolas Sarkozy, co-preside a cúpula com o presidente do egípcio Hosni Mubarak.
A paz esta próxima

- Casa é destruida durante o avanço de tanques israelenses
O Gabinete de Israel decide hoje em conselho se irá interromper os ataques ao grupo terrorista Hamas, na Faixa de Gaza. Se votar pelo cessar-fogo, Israel irá interromper unilateralmente o ataque, mas manterá suas tropas em Gaza. O Hamas já manifestou que, mesmo que Israel pare de bombardear Gaza, irá continuar seus ataques às tropas e a cidades israelenses.
A suspensão só deverá ocorrer se o conselho concluir que atingiu seus objetivos principais em Gaza, mas a ministra de assuntos internacionais de Israel Tizpi Livni, avisou que se os ataques do Hamas a cidades israelenses continuarem, Israel retomará a ofensiva.
“Se o Hamas atacar, nos teremos que continuar (a ofensiva). E se mais tarde eles voltarem a atacar novamente, nós teremos que liderar uma nova campanha (contra o Hamas).” Disse a ministra Livni.
Paralelamente ao acordo unilateral de Israel, o Egito vem tentando tecer um acordo entre o Hamas e Israel para um cessar-fogo bilateral. O líder político do Hamas, Khaled Meshaal, já se manifestou contra o acordo proposto pelo Egito, entretanto uma delegação do grupo foi enviada à terra dos faraós para discutir a oferta. Segundo autoridades egípcias, outro líder do Hamas, Ayaman Taha, teria dito que o grupo aceita o acordo. Israel também teria aceitado os termos do acordo.
Pela proposta o acordo seria dividido em três fases. Na primeira, ambos os lados concordariam com um cessar-fogo e Israel teria 48 horas para retirar suas tropas de Gaza. Na segunda fase o Egito se comprometeria a destruir os túneis clandestinos que ligam Gaza a Península do Sinai e são utilizados pelos terroristas para transporte de armas, vindas do Irã, para a Faixa de Gaza. Equipes internacionais, com a ajuda do EUA vigiariam a região para evitar que mais equipamentos de guerra entrem na região.Na terceira fase Israel poria fim ao bloqueio que promove a 18 meses nas fronteiras de Gaza, permitindo a entrada de ajuda humanitária e o desenvolvimento do comércio na região. O Hamas concordaria em não lançar nenhum foguete em direção a Israel por um ano.
A despeito das negociações os conflitos em Gaza continuaram nessa sexta-feira. Uma escola da UNRWA foi atacada e dois irmãos morreram, 14 pessoas ficaram feridas, incluindo a mãe deles.
Até agora o numero de mortos na faixa de Gaza já chega a 1,2 mil palestinos. O número de feridos passa de cinco mil.
Estados Unidos conclama Israel a ampliar acesso a Gaza
Em reunião nessa quinta-feira ( 8 ) o Departamento de Estado americano pediu à Israel que amplie o acesso de ajuda de emergência à Faixa de Gaza, tendo em vista a situação humanitária em Gaza, considerada “desesperadora” pelo governo americano.
De acordo com a nota divulgada pelo Departamento Israel deve ampliar os horários de abertura da fronteira para entrada de ajuda humanitária em Gaza, onde vivem 1,5 milhão de pessoas. A situação em Gaza é das piores, já que mais da metade da população, 67%, estão desempregados e 80% da população é considerada pobre. Com os ataque a situação se agrava.
Entretanto a violência dos ataques de Israel já causou uma baixa entre as agências de ajuda humanitária. A agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA) anunciou nessa quinta ( 8 ) que vai suspender toda a ajuda humanitária devido aos “riscos” causados pela presença de tropas israelenses no território palestino.
Segundo Adnan Abu Hasna, porta-voz da entidade em Gaza, um ataque de tanque israelense matou dois motoristas palestinos que estavam num comboio de ajuda humanitária da agência passando próximo à passagem de Erez , no norte de Gaza.
Richard Morion, porta-voz da ONU, disse que as autoridades israelenses haviam sido informadas sobre a passagem do comboio, que estava identificado pelo símbolo da ONU.
Depois do incidente, todos os comboios que passam pela passagem de Erez e Kerem Shalon foram suspensos pela UNRWA.
O exército israelense divulgou que vai apurar o caso
Veja o mapa com os dados dessa quinta-feira ( 8 )

Créditos da arte do site G1 (g1.globo.com)